FAOFEM'18: Construindo um caminho

Por Leopoldina Fekayamale

 Fotografia: Paula Agostinho

Fotografia: Paula Agostinho

 

Realizamos a 3ª edição do Fórum Anual do Colectivo Ondjango Feminista nos passados dias 30 de Junho e 1 de Julho, e passados três anos atrevo-me a dizer que estamos a construir um caminho, sim: um caminho! Perguntar-me-ão que caminho será esse?! Dir-vos-ei que é um caminho que intensificou a abertura de espaços onde mulheres, de forma colectiva, pelas suas próprias vozes e narrativas, trouxessem à discussão as suas múltiplas realidades e começassem a politizar com mais afinco a luta pelos seus direitos para, deste modo, construir uma sociedade angolana mais justa para elas. 

Este fórum teve como tema central “Construindo um Feminismo angolano: Identidades, Privilégios e Igualdade”, dentro disto, procuramos olhar de dentro – de nós mesmas – para fora – para as manas – a fim de procurar compreender um bocado de cada realidade além da nossa. Pois, entendemos que a construção de um feminismo angolano passa por saber que existem realidades diferentes das nossas e que estas precisam ser conhecidas e respeitadas de formas a não sermos invasivas no espaço de outrem. Entendemos, também, que a nossa construção de um feminismo angolano deve passar pela compreensão dos pontos que temos em comum e daqueles que nos diferem de modos a encontrarmos a unidade na diversidade. 

Procuramos, neste fórum, olhar para os nossos privilégios, as nossas igualdades e desigualdades de forma realística, e trouxemos para perto de nós um bocado de cada história, cada experiência de vida, cada experiência de luta por uma Angola que se quer de todas e todos. Tudo isso fez-nos sair deste fórum mais fortalecidas e mais conscientes de que este caminho é mesmo para frente.

Sem termos deixado de parte a importância da politização das nossas abordagens, umas com as outras, entendemos como é necessário analisarmos o nosso contexto histórico, social e político para compreender as várias desigualdades sociais e a busca das soluções para as mesmas. Olhamos para o papel do Estado e para as políticas públicas em prol da justiça de género que se precisam mais práticas do que só teóricas. Olhamos para aqueles discursos institucionais que ao mesmo tempo que “exaltam” a mulher, a relegam também a uma posição sempre de subserviência. Percebemos, tal como no segundo fórum, que é imprescindível continuarmos a reivindicar os nossos espaços e a ampliar as nossas vozes.

Não deixamos de parte, também, o espírito que nos trouxe desde o primeiro fórum até aqui: a construção de pontes de solidariedade. Essas pontes, fizeram-nos sentir como, nesse feminismo que se quer angolano, importa segurarmos as mãos umas das outras e sermos solidárias. Esta edição do fórum trouxe, mais uma vez, o relembrar de um ideal que consciente e inconscientemente abraçamos no primeiro fórum: independente das nossas lutas individuais, dores pessoais, quando menos esperamos o nosso coração pode se abrir e estender a mão a outrem.        

Estamos construindo um caminho, e apesar dos espinhos na jornada, sabemos que valerá a pena. Sabemos que, aos poucos, independente do tempo, esse caminho nos levará a uma sociedade onde todos cabemos independente das nossas múltiplas identidades. Até ao próximo FAOFEM!  

Aline Frazão