As Feministas do Meu Tempo

Por Cecília Kitombe

 Imagem: Fradique, Novembro 2017 (c) Marcha de Repúdio à Violência Contra a Mulher

Imagem: Fradique, Novembro 2017 (c) Marcha de Repúdio à Violência Contra a Mulher

 

As feministas do meu tempo,

vão defender seus direitos,

mesmo que isso signifique desafiar a família,

desistir de um emprego pelo assédio,

deixar o namorado por não querer partilhar o poder,

separar do marido porque o mesmo não conseguiu acompanhar as mudanças do "papel" da

mulher;

 

As feministas do meu tempo,

vão educar os seus filhos a respeitarem as mulheres e meninas,

vão incentivar as suas filhas a priorizar a formação e o crescimento pessoal,

vão incentivá-las a serem quem quiserem ser, longe dos padrões sociais,

vão apoiá-las a fazer escolhas conscientes sobre a própria vida;

 

As feministas do meu tempo,

vão separar-se de relações abusivas,

não vão permitir qualquer tipo de violência,

não serão objectificadas pela sociedade,

serão capazes de apreciar a magnitude das suas vivências,

vão se permitir amar e serem amadas por quem realmente compreende a profundidade do seu ser;

 

As feministas do meu tempo,

vão ousar,

vão adentrar a todos os espaços públicos,

vão reinvindicar direitos,

sairão à rua em nome próprio e de outras mulheres,

vão acima de tudo, quebrar o silêncio,

denunciar os maltrados,

e gritar bem alto, não a violência, não a descriminação, não a exploração; 

 

As feministas do meu tempo,

vão sofrer, duramente por se classificarem feministas,

serão mal interpretadas,

serão amaldiçoadas,

mas não vão desistir de abrir caminhos,

de construir pontes de solidariedade,

e de acima de tudo preservar as conquistas de outras mulheres que vieram antes delas...

 

Minha mana,

se o teu feminismo não incomoda as estruturas de poder,

questiona o teu engajamento na luta pelos direitos das mulheres,

porque essa luta é marcada por confrontos, consensos e muita determinação.

Ondjango Feminista