O Livro da Paz da Mulher Angolana

POR LEOPOLDINA FEKAYAMÃLE

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Recentemente, comemoramos o 4 de Abril, o Dia da Paz e da Reconciliação Nacional! Um dia para não mais esquecer e para lembrar o calar das armas que, durante muito tempo, fizeram barulho no nosso país. Acredito que todos nós valorizamos o dia, embora tenhamos diferentes visões sobre o mesmo e o vivenciemos de formas diferentes.

E é a pensar nas distintas visões sobre a paz e, mais importante, nas distintas vivências que vos trago como sugestão de leitura “O Livro da Paz da Mulher Angolana: Heroínas Sem Nome”, uma colecção de relatos sobre a guerra e a paz recolhidos pelas escritoras Paulina Chiziane e Dya Kassembe.

No livro cruzam-se várias histórias e cada uma, à sua maneira, fala para nós. São histórias reais, de vidas e pessoas reais que nos mostram significados da paz que podendo ser diferentes dos nossos, não são menos importantes. Embarcar na leitura deste livro é uma forma de aprender a olhar à nossa volta com mais atenção e a ouvir a voz do Outro. E neste caso específico, somos convidados a ouvir as vozes das várias mulheres que com coragem lutaram - e lutam - pela solidificação da paz no nosso país. E essa solidez não tem a ver só com ausência da guerra, mas também com o desejo e com a luta por uma paz que seja o reflexo de condições iguais para todos no acesso aos serviços e bens públicos.

O Livro da Paz não nos conta só a alegria das mulheres por já não terem de ouvir as armas, conta-nos também, de formas explícitas e implícitas, sobre as inúmeras injustiças do ponto de vista político, económico e social que várias mulheres passaram durante as épocas pré-paz e pós-paz. 

Somos levados a experimentar emoções fortes com cada experiência de vida representada em cada história do livro. Somos transportados para fora de nós mesmos, para além dos nossos privilégios a fim de pensar cada vez mais na necessidade da construção de uma sociedade mais justa para todos. As mulheres que se dispuseram a relatar e a mostrar um pouco de si mesmas nesse livro são heroínas, acreditem! Verdadeiras heroínas que mesmo com todas as pedras no caminho procuraram vencer e dar uma vida melhor para seus filhos e contribuir para o bem-estar desse país. Elas representam muitas outras mulheres, outras que apesar de não poderem falar, nas suas lutas diárias em busca do pão ensinam-nos verdadeiras lições de coragem.

Leiam o livro, ouçam as vozes que falam nele, pensem nas inúmeras mulheres anónimas também representadas nas suas páginas, olhem a vossa volta e pensem no quão importante e imprescindível é termos uma paz onde todos se encaixem e tenham melhores condições de vida e os mesmos direitos. 

Aline Frazão